Um dia me perguntei se tinha pra mim um tempo que só dava a você. Descobri que por mim era demais negado o que sempre tive a teu dispor, até que vivi intensamente o meu eu nunca mostrado, sempre escondido por debaixo de outros eus que me neguei ver por ti envolvido, me neguei acreditar por ti despercebido. Vi de todos esses que dentro de minha mente estavam, pois tu estavas onde eu mais me escondi. Meu coração gritava por mim, me chamando a tua realidade, me mostrando a minha invalidez, diante de um eu que nunca vi e que sem nenhum esforço quis esconder, me reprimi para dar espaço a tu, e assim, esqueci de mim. Me veio a tona uma força de acreditar que por mais que negasse a mim atenção, os eus existentes, um mais forte, me puxou para fora de mim, e me refletiu como sol em aguas claras, como sombra em lua cheia, como parte de tu que um dia habitou em mim. E com o tempo, aquela imagem de ti foi saindo de mim, até que no espelho se mostrou a lembrança de um eu sem fim. Lembrei de minha imagem, e chorei lagrimas frias, avessas a qualquer situação que me fizesse acreditar que eu um dia me troquei por ti.
Miltin Souz.