quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Vozes de oceano

Vozes de oceano.


Quando eu falo dessa
Quando essa me abraça
Abraça forte e me faça
Faça sentir e nao pesar

Pese em mim teu sentimento
Sente em mim teu pensamento
Pensa em mim teu sonhar
Sonha em mim teu coração

Coração do teu avesso
Avessa em mim teu sentimento
Que antes era um tormento
E agora há de me amar

Me ama, me solta, me beija
Solta o teu veneno, me deseja
Me envenena com teu olhar
E me olha, profundamente

Como o mais profundo oceano
Faz dessas ondas o meu pranto
De chorar sem fim
Felicidade em mim que me faz gritar

Gritar vozes de oceano.

Miltinho Ferreira.

Ventanias amordaçadas

Ventanias amordaçadas


Nas ventanias daquela noite fria
Se espera apenas uma mao estendida
Uma casa vagamente aquecida
Para ainda o frio espinhar

E há quem queira um triste repouso
Um choro tenebrante de socorro
Uma piedade de choro e vela
Ha quem goste dessa mazela de se deixar chorar

Nao, nao entenda-me rapidamente
Deixe-me explicar o meu sofrer
Surto de memoria psicotico em mente
Louco amordaçado, insconciente

Só por ti corri
Desbravei outros rostos cheios de lagrimas
Pulei rios e cascatas
Vi coração sangrar

Nao tive tempo de ir as forras
Nao contive aquela loucura sem fim
Onde eu tirava de mim
E nao me deixava amar

Miltinho Ferreira.

Agua que derrete

Agua que derrete.

Nos momentos de chuva escaça
Parei pra tentar entender o que me disfarça
O que me encanta e sabe o que quer
Como caçador que foge da caça

Lutando contra o que,
Quem sabe sei lá
Lutando contra tudo
Sem poder escapar

E de longe me vi sozinho
Abandonado a beira do caminho
Sem ter nem lagrima para chorar

E foi nesse meio tempo
Que a chuva sucedeu
Que meu corpo inteiro molhou
E o coração de vez amoleceu

Corri pro mundo sem destino certo
De modo incerto se preciso for
Dei adeus ao olhar do outro
Me fundi, como quem funde ouro

Miltinho Ferreira.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Tempo


Eu queria ter um tempo para as coisas que estão passando
Os momentos que estão indo
E as vontades que estou só olhando

Saber de tudo não é muito
Nem tampouco me fortalece ao fundo
Entendi que nem tudo é pra ser
E que as vezes irei me pôr em luto

Das saudades que passam por mim
Chorarei aquelas que me deram amor
Das que beberam meus amores eu rirei
E das outras que me causaram dor

E minha alma que se faz em lagrima
Derramarei toda ela em um lago qualquer
Em um poço de imensidao de sonhos
Perdidos nos olhos de qualquer voyeur

Sonhos tombados
Como quem rouba a construçao insolita
Perdido em qualquer prosa
Dos sonhos de quem se quer.

Tempo.
Ferreira, Miltinho