quarta-feira, 1 de abril de 2015

Caminho de sangue

Eu vou correr para longe daqui, seguir o eco que paira em minha mente. Eu tento fugir das boas novas e me fazer decepcionar com as desvantagens que já sei, que já me revelei. Eu me sacrifico em nome do nada, eu sinto que em minhas veias estão toda a marca da dor imaginada. Eu sinto o pecado padecer sobre mim, eu fecho os olhos e choro. Minha mente, mente. E meu sangrar não me pertence mais, e nem o meu viver, nem meu sacrifício. De tanto andar, meus pés sem pele já cortam o chão, com marcas vermelhas que entregam por onde andei, e por onde passei tentando achar as pedras que tanto fiz questão de esconder de mim. Deixei de lado o que importava e me entendia, para sempre ver o que me tirava o sustento, o serio e o melhor. Não parecia dar em nada aquela distancia percorrida, só meu sangue que perdia, não me deixava entregar o coração a quem tanto me pedia, não em minha frente, ou olhando em meus olhos, mas de longe, lá atras daquela pessoa que me movimentava como marionete de teatro de bonecos. Que corri sem testes é certo, tão certo como me enterrei no buraco que mesmo fiz, por sempre correr para algo melhor, mas nunca ter conseguido sair do lugar.

Miltinho Ferreira.

DesParaiso DoPrazer

Não ha como olhar pra trás e não lembrar daquele par de olhos que fizeram questão de iluminar meus dias e noites. E ainda me fazia sorrir de bobo que era. Das tardes que começavam logo apos sua chegada, antes não me importava. Sua saída me dizia que era noite, e assim, tudo escurecia, conforme seus passos o fazia ir mais longe. Enquanto eu olhava para os peixes que ficavam na mesa ao lado da minha cama, as borbulhas do oxigênio que saía daquela bombinha de ar, ligada na tomada próximo a porta. Era um meio de articular minhas exigências turvas, que nem água baldeada, mas não as daquele aquário. Ali estava limpa e me diferenciava os pensamentos e sonhos, a mais bela imagem da clareza e nitidez de seus olhos que estampavam as paredes de vidro que separa os dois mundos, os nossos mundos. Uma hora me lembra nuvens do céu, igual magica de circo, outra hora me lembra neblina, que se não tiver atento, bate. A cabeça ou só o corpo, dois em um, e que disfarça o coração, unindo os dois, para que não sofra só pensamento.

 Miltinho Ferreira​.

Muralhas e sonhos

Quando eu olhava, bem de longe, aquelas barreiras, montanhas suaves que cercavam algo que parecia protegido demais. Eu sabia que ali havia um diamante precioso, porém, não via que cultivavam juntos aquele precioso sabor. Era dois corpos onde apenas um se esforçava para construir um castelo que crescia apenas em seu pensamento. Tinha arvores altas que formavam um lindo bosque, e ali parado, seu pensamento criava uma linda muralha, uma proteção. Ainda de longe eu olhava e admirava aquele que ali, parado estava, apenas para ver cair o que antes era um abrigo de muros altos, uma fortaleza. Mas que hoje não resta nem o alicerce.


Ronny Nascimento adaptado por Miltinho Ferreira.