Eu vou correr para longe daqui, seguir o eco que paira em minha mente. Eu tento fugir das boas novas e me fazer decepcionar com as desvantagens que já sei, que já me revelei. Eu me sacrifico em nome do nada, eu sinto que em minhas veias estão toda a marca da dor imaginada. Eu sinto o pecado padecer sobre mim, eu fecho os olhos e choro. Minha mente, mente. E meu sangrar não me pertence mais, e nem o meu viver, nem meu sacrifício. De tanto andar, meus pés sem pele já cortam o chão, com marcas vermelhas que entregam por onde andei, e por onde passei tentando achar as pedras que tanto fiz questão de esconder de mim. Deixei de lado o que importava e me entendia, para sempre ver o que me tirava o sustento, o serio e o melhor. Não parecia dar em nada aquela distancia percorrida, só meu sangue que perdia, não me deixava entregar o coração a quem tanto me pedia, não em minha frente, ou olhando em meus olhos, mas de longe, lá atras daquela pessoa que me movimentava como marionete de teatro de bonecos. Que corri sem testes é certo, tão certo como me enterrei no buraco que mesmo fiz, por sempre correr para algo melhor, mas nunca ter conseguido sair do lugar.
Miltinho Ferreira.
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