Rio de desatinos
O ser humano tem uma necessidade gigante em se sentir sempre a frente de algo que nem mesmo ele sabe explicar ou distinguir, Sabe-se que a cada volta que o mundo dá, cava-se o proprio buraco, aquele que não tem pena de si e nem do outro, já dizia a musica. Foi-se o tempo em que eu me sentia bem em ter a mente aberta ao alheio, ao que não me pertence e nem mesmo ao que sou. Acabou o respeito por mim, a partir do momento que me privo de te-lo para com você. Sei, eu sei! Nada se compara aquela musica suave que tocava na estação no horario das 6h da manha, quando você acordava e acendia aquele cigarro mentolado que me fazia ter enjoos e nauseas, mas eu me gostava, não dele, apenas de você, eu respeitava o fato de você ter que me acordar com fumaça em vez de beijos e declarações de amor que eu já tinha sonhado e não tinha acontecido. Com o olhar marejado eu levantava e apontava o sinal pra ti, respeitando tuas vontades e não as minhas, teus gostos e não os meus, teus momentos de reflexão, que eu nem sabia ter. Eu me senti tão pequeno ao ponto de esclarecer pra mim que aquilo não me definia e nem tão pouco me fazia ser o que aparentava. Corri, nao me contive, eu assumi um respeito que antes eu não tinha por mim, e aprendi que assim, só assim eu o teria por outro, que antes de tudo, a mim valia a minha indignação e meu pesar, meu revoltar sem consentimento, meu nascer de sentimento puro, de mim para os outros, como rio que nasce e corta uma floresta até desaguar em um mar de infinitos pensamentos aleatorios.
Miltinho Ferreira.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Dois pontos e nada mais
Dois pontos e nada mais
Nós tentamos, e eu sei que não foi em vão, nem tão pouco inutil, só você foi.
Eu estava lá e nem sequer consegui entender aquelas aberturas de porta, aquelas batidas de janelas que faziam ecoar barulhos terriveis, cada um, uma piscada de olhos, um susto. Terremoto era o que mais parecia, não que eu tivesse presenciado algum, mas também não presenciei você, e, mesmo assim, consegui distinguir cada movimento arquitetado a me enganar, a viver distante de meu olhar e coração. Naquela época eu era alertado com respirações tão ofegantes, nada normais, nada comum, era algo teimoso, era uma consciencia tragica, simplesmente sem sanidade, sem moral. De mim levou todas as chances e saudosas perspectivas, que, pensando bem, também nem minhas eram. Não fiz questão de entregar de volta os sonhos que inventou pra mim e que não sonhou comigo. Devolvi cada pensamento que não me pertenceu, e que, de forma agonizante, foi-se como respiração depois de dois pontos.
Eu estava lá e nem sequer consegui entender aquelas aberturas de porta, aquelas batidas de janelas que faziam ecoar barulhos terriveis, cada um, uma piscada de olhos, um susto. Terremoto era o que mais parecia, não que eu tivesse presenciado algum, mas também não presenciei você, e, mesmo assim, consegui distinguir cada movimento arquitetado a me enganar, a viver distante de meu olhar e coração. Naquela época eu era alertado com respirações tão ofegantes, nada normais, nada comum, era algo teimoso, era uma consciencia tragica, simplesmente sem sanidade, sem moral. De mim levou todas as chances e saudosas perspectivas, que, pensando bem, também nem minhas eram. Não fiz questão de entregar de volta os sonhos que inventou pra mim e que não sonhou comigo. Devolvi cada pensamento que não me pertenceu, e que, de forma agonizante, foi-se como respiração depois de dois pontos.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Santuário
Santuário
Notando que as coisas não estão mais expostas na mesma estante e nem mais escondidas por trás daqueles livros que eu guardava, fingindo ler todos eles, para mim ou quem quisesse ver. Era só mais um tempo em que eu me iludia na convenção de pássaros que teimavam voar sobre mim, sem convites pairavam meus pensamentos e sonhos, e, sem que eu enxergasse, iam embora, levando com eles cada presença de mim, cada sopro ou respiração. Subiam alto o céu e cantavam cantigas que eu um dia ouvi, quando criança, e que hoje me fazem perceber a existência de um eu esquecido, imaginado e insensível. Simples como o bater das asas que os tira do chão e os leva longe, são assim meus pensamentos. São simples e compostos, substantivos de mim, adjetivos sem fim, que perco, que mordo e que sofro, e, mais ainda me submerso e me submeto, me atinjo como alvo em sintonia de dó, me livro de todos eles, da nota maior para a menor. Grito lá de cima que sou livre, amarrado aos pés pela corda de meus pensamentos, meus inventos, meus instintos que me fazem acreditar ser livre apenas por bater asas e voar.
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