Rio de desatinos
O ser humano tem uma necessidade gigante em se sentir sempre a frente de algo que nem mesmo ele sabe explicar ou distinguir, Sabe-se que a cada volta que o mundo dá, cava-se o proprio buraco, aquele que não tem pena de si e nem do outro, já dizia a musica. Foi-se o tempo em que eu me sentia bem em ter a mente aberta ao alheio, ao que não me pertence e nem mesmo ao que sou. Acabou o respeito por mim, a partir do momento que me privo de te-lo para com você. Sei, eu sei! Nada se compara aquela musica suave que tocava na estação no horario das 6h da manha, quando você acordava e acendia aquele cigarro mentolado que me fazia ter enjoos e nauseas, mas eu me gostava, não dele, apenas de você, eu respeitava o fato de você ter que me acordar com fumaça em vez de beijos e declarações de amor que eu já tinha sonhado e não tinha acontecido. Com o olhar marejado eu levantava e apontava o sinal pra ti, respeitando tuas vontades e não as minhas, teus gostos e não os meus, teus momentos de reflexão, que eu nem sabia ter. Eu me senti tão pequeno ao ponto de esclarecer pra mim que aquilo não me definia e nem tão pouco me fazia ser o que aparentava. Corri, nao me contive, eu assumi um respeito que antes eu não tinha por mim, e aprendi que assim, só assim eu o teria por outro, que antes de tudo, a mim valia a minha indignação e meu pesar, meu revoltar sem consentimento, meu nascer de sentimento puro, de mim para os outros, como rio que nasce e corta uma floresta até desaguar em um mar de infinitos pensamentos aleatorios.
Miltinho Ferreira.
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