"Quem me dera ter aquele abraço que antes fazia parte de minha rotina, não que a rotina fosse boa, mas o abraço sim. Me fazia tão bem sentir aquele aperto quente. E quando tua vóz ultrapassava todas as barreiras, e me chegava. Como um vulcão em erupção, eu explodia em alegria e êxtase. Não existia nada que me fizesse mais feliz do que te ver, do que sentir teu abraço e teus beijos. Ouvir tua voz dizendo "te amo", em algumas vezes, era o o apse do prazer em estar vivo. Não sei o que houve conosco, se foi seu ar sem graça que tudo deixou ir embora, ou se foi minha falta de coragem em tentar construir por cima de um terreno sem alicerce. E, pensando melhor, eu construí, fiz por cima de um terreno argiloso todo aquele amor que nem tu acreditavas, todo aquele amor que estava dentro de mim e fez com que eu acreditasse em algo que todos faziam questão de me mostrar não existir. Mas eu lutava, eu lutava sem cessar e sem fim, comigo mesmo, acredite! Lutava para ter de ti uma ponta do que tu tinhas de mim, em vão. Eu nadei, me senti como um naufrago em alto mar, que ao longe de um ano perdido, encontra aquela areia, na esperança de chegar vivo e ser salvo. Nadei, porem, ao contrario do que você pensou, eu não morri na praia. De todos os sentimentos que existiam nessa turbulencia, nesse liquidificador de sonhos e mentiras. Ficou em mim realmente o que mais importava, não o que necessariamente eu sentia, de tudo, em mim existe a esperança de que por mais que dê errado, por mais que vire uma lastima total, o sentimento maior fica conosco, e sempre tende-se a optar por ele. No nosso caso, dos dois amores, o que ganhou, foi o meu amor proprio."
Miltin Souz.
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