"Tentei, ah como eu tentei!
Foi em vão tudo cometer, nesse caos voraz. Um tornado passou, e eu aqui dentro desse calabouço não ouvi sequer a zuada do vento. Quando subi, veio a tona a desvastação total. Olhei para todos os lados, de meus olhos cairam exatamente duas lagrimas de cada um. Nesse momento meu corpo se contraia como tivesse sentindo uma dor na espinha, e eu gritava, esperneava de forma inacreditavel, era um vazio sem fim dentro de meu peito. Pobre coração não mais existia, ali, um buraco permanecia frio, como casa abandonada cheia de teias de aranha por todos os lados. Sentado a beira de toda devastação, pensei em levantar e continuar a viver, mas como? Voltei para o calabouço, em uma cama de madeira velha, toda molhada daquela brisa que caira sobre a lage, colchão humido e lençol mofado. Fazia tempo que ali eu não ia desde o ultimo tornado, desde a ultima queda, do ultimo andar lá do alto. - Eu não posso me entregar a essa imensidão do nada - Sem fim, parece sem fim, surreal. Fecho meus olhos, tento imaginar minha vida antes de ti. É quando eu vejo que não consigo respirar, me falta ar. Eu não consigo ver, nem sentir teu tocar. Imovel, permaneço ali no calabouço, na esperança de que mesmo me devastando, me acabando por dentro, você volte a passar. Desmontando meu viver, acabando com meu pensar."
Miltin Souz.
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