Ser Horizonte
E que me esperem todas as manhãs sorridentes, não me guarde rancor ou ressentimentos, ó vida!
Lá estava eu correndo para o bem maior, e que me esperava de costas, olhando para o horizonte de meu ser. E eu nem sabia que por trás daquelas costas estava eu, e na frente o meu futuro, meu submundo escondido a frente de mim. Incapaz de acreditar na ideia de dois mundos, não sabia que existia duas capas protetoras, ou melhor, apenas uma, a outra me afundava, pesada, concreto era sua matéria prima, era esse meu coração. Outro de mim lá atras me via de costas, inocente fugia do que nem sabia, de realidades inconstantes, pensamentos flutuantes que me pensava louco, que me fazia bobo, do sentimentos de mim, dessas pessoas que viviam em meu consciente. Absolutamente inconsciente, habitava sem pagamentos fixos, de dia era quente, a noite frio. Me pagava com fortes dores, com lagrimas de falsos senhores, com falsas crenças de mim. Desses eus que nem conhecia, que me fazia perceber inexistente, infiel a mim. Era um paradoxo, eu era alguém que não existia para aquele olhar que me via de costas, acreditando eu ser o próprio horizonte.
Miltinho Ferreira.
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